Uma aula é emoção

Marcio Gonçalves

Marcio Gonçalves

Educador

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O autor da frase que intitula este artigo é Gilles Deleuze. O professor francês diz isso aqui (https://vimeo.com/145772395). Quando ouvi a entrevista dele e me deparei com essa fala, eu voltei o vídeo inúmeras vezes para ter a certeza de ele ter dito aquilo mesmo. É porque eu concordava tanto com essa opinião. Mas como interpretar a emoção dita por Deleuze em contextos atuais? A aula de ontem não é igual a aula de hoje?

Definitivamente, a resposta é não. Nada é igual. Os tempos são outros. O século é outro. As pessoas, porém, continuam as mesmas. O avanço tecnológico trouxe novos suportes para a transmissão da informação. A forma de acesso vai depender dos interesses daqueles que desejam aprender. Do mesmo jeito aquele que ensina poderá usar recursos novos. O melhor dos tempos atuais é que a criatividade ganha mais espaço com a enormidade de recursos disponíveis.

Para que uma aula seja emoção é preciso despertar a curiosidade naqueles que aprendem. É preciso aprender fazendo. É permitir que um novo mundo de possibilidades se abra. Talvez seja por isso que as crianças de hoje gostem tanto de aulas mediadas por tecnologia. É porque com isso a semiótica se faz presente: imagem, texto e contexto nas mídias digitais. Uma aula orientada por um vídeo é diferente de uma aula passada no quadro. Ambas as formas, entretanto, podem causar emoção. Sabe aqueles professores de biologia que escreviam na lousa com diferentes cores de giz? Até hoje lembro do quanto aquele colorido me encantava. Imagina aprender ouvindo o som original misturado com movimento? É só buscar no Youtube que lá deve encontrar conteúdo relacionado à biologia marinha, molecular, animal, vegetal etc.

Em artigo anterior falei do jogo Kahoot. É o tipo de atividade que desperta interesse e espírito competitivo do grupo. Mas melhor ainda é ensinar a construir as perguntas do quiz. Tenho quase certeza que a aula que explica como o jogo é construído vai ser emocionante. É porque haverá possibilidade de novos autores e novos conteúdos surgirem. Nessas horas penso que consumir e produzir conteúdo devam andar juntos.

Em tempos de escassa economia da atenção o professor disputa o espaço da escola e das universidades com os celulares em sala de aula. Na França, por exemplo, o governo de Emmanuel Macron proibiu desde setembro de 2018 o uso de qualquer objeto conectado, como celulares, tablets e relógios, em écoles e collèges (crianças de 6 a 14 ou 15 anos). Se for para fins pedagógicos, o uso poderá ser discutido e o professor concordar em utilizá-lo. Essa medida não tornará a aula mais atraente ou não. O professor apenas deve entender que entre o analógico e o digital, a essência da aula não está no uso de dispositivos móveis, mas, sim, no planejamento, na condução das atividades, no feedback aos alunos, nos exercícios propostos e na orientação ao objetivo do aprendizado. Tudo isso também é lembrado por Deleuze: “É necessário chegar ao ponto de falar de algo com entusiasmo”.

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