A escola fora da caverna: como enfrentar o mundo exterior na educação pós-pandemia

Marcio Gonçalves

Marcio Gonçalves

Educador

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Conhecida como o Mito da Caverna ou Alegoria da Caverna, em A República, Platão apresenta uma história alegórica que representa o conhecimento da verdade e o acesso ao conhecimento. O texto revela uma conversa entre Sócrates e Glauco em que o primeiro pede ao segundo que imagine a existência de uma caverna na qual os prisioneiros vivessem desde a infância. Entre sombras e luzes, a imaginação corre à solta pelos sentidos de Glauco.

Com as mãos amarradas em uma parede, os prisioneiros podiam avistar somente as sombras que eram projetadas na parede situada à frente. Eis que um destes homens é solto e percebe que as sombras que ele sempre via eram, na verdade, controladas por pessoas atrás de uma fogueira. O homem livre sai da caverna e encontra uma realidade diferente e muito mais ampla e complexa que ele via por meio de sua imaginação.

Ao sair, o homem chega a se incomodar com os raios fortes de uma luz solar chegando a cegá-lo momentaneamente. Recuperado do incômodo, ele conclui que a realidade não é bem a que ele via de dentro da caverna. Vivendo o dilema de voltar ou não para contar aos outros prisioneiros o que ele via, o homem aprende que o que ele julgava conhecer era tudo fruto de um engano causado pelos seus sentidos limitados.

Mas, se agora trocarmos os personagens dessa alegoria, e pensarmos na educação dentro da caverna tendo que se deparar com a realidade que se apresenta no mundo externo às instituições de ensino? Ao conseguir se livrar do aprisionamento, a cegueira deveria permanecer ou se deveria lutar para enfrentar os raios fortes de uma luz ao fim do túnel? Se a educação escolher viver dentro da caverna, ela pode não conseguir ver a realidade que se apresenta fora dela. Isso pode não ser uma boa escolha porque os prisioneiros na educação seriam diretores, coordenadores, professores e estudantes. Esses últimos um dia saíriam devido ao cumprimento do ciclo básico de ensino. Mas será que enfrentariam uma luz tão forte ao ponto de cegá-los e fazer com que eles não enxergassem a vida como ela é?

O problema, então, passa a ser com quem resolve ficar na caverna. Neste caso metafórico, seriam os diretores, coordenadores e professores que preferem manter-se aprisionados e não querendo sair para ver o mundo lá fora. Como representantes da educação, não deveriam querer evitar enxergar a realidade vivida fora da escola, por exemplo. O mundo, que encara a pandemia da COVID-19, mexeu com o ensino. Em alguns casos, a solução para manter o ensino vivo foi a inserção e adesão de tecnologias digitais e educacionais.

Se todos quisessem sair agora da caverna, em breve vão enfrentar um mundo pós-pandemia depois que toda a população conseguir ser vacinada contra o novo coronavírus. A pergunta que fica é: o que será que devem enxergar? É provável que encontrem uma educação bem diferente daquela vista só pelo lado de dentro. A fim de garantir a sobrevivência, a educação não deve fechar os olhos para o que está por vir. Afinal, quem descobre um admirável ensino novo não quer voltar a viver aprisionado entre luz, sombras e pensamentos fora da realidade.

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