Os últimos millenials chegaram às universidades. E agora?

Marcio Gonçalves

Marcio Gonçalves

Professor universitário e CEO

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Lembro bem quando a revista Time, de 20 de maio de 2013, trouxe na capa a geração me-me-me. Diferente da geração mi-mi-mi, conforme falamos em português, esse « me », com letra « e », ao final, em inglês, traz o significado de que os jovens nascidos entre 1980 e 2000 são preguiçosos e narcisistas. 

Considerando o limite do ano de 2000 para ser tachado como « millenials », aqueles que hoje estão com 18 anos já ocupam as carteiras das universidades. Uma pesquisa informal que vinha fazendo em todas as turmas na universidade em que atuo era: quem aqui é nascido no século XXI? Já tive dois momentos em que a própria turma reagiu com surpresa: quando alunos levantaram o braço e responderam: sim!

Quais expectativas a sociedade deposita nessa geração que presenciou uma das maiores revoluções na história da comunicação: a internet? Eles viram essa mídia, de certa forma, tornar-se mais popular e crescer no acesso por aparelhos móveis. Eles já eram notícia antes do parto pelos pais que publicavam nas mídias sociais o diário do nascimento.

Se a Time os chamou de preguiçosos, eu diria que a facilidade de encontrar a informação a um clique pode ter contribuído para formar uma geração que pouco gera informação de valor, mas muito absorve conteúdo na internet. Há de ser lembrado que as mídias convivem entre si. Se souberem usar a tecnologia e a informação a favor deles, podem reverter o adjetivo para um significado menos pejorativo.

Ao mesmo tempo, se são narcisitas, isso se deve à interação mediada por computadores e à transformação da visibilidade. Em geral, vivemos uma busca constante por curtidas, novos seguidores e comparações com o estilo de vida alheio. Se isso vai parar em algum momento? Eu diria que serão dados novos usos às ferramentas. O comportamento que me parece não ser revertido é o desejo de ver e de ser visto.

E se existe um desafio para lidar com essa turma de impacientes, infiéis e insubordinados, a batata quente está com as empresas que os receberão em breve: a geração me-me-me promete desafiar as regras de atração e de retenção de talentos. Muitos não querem trabalhar em escritórios. Afinal, entendem que para produzir não precisam estar fechados em empresas.

Respondendo a pergunta do título, agora é momento de provar que as gerações têm muito a ganhar quando souberem conviver em harmonia. Entre aqueles que dominam a gramática da linguagem digital, estão, também, aqueles com mais tempo na longa estrada da vida. Vai ser uma mistura boa na hora de promover a inovação. Ganha aqueles que entenderem que a diversidade e a interdisciplinaridade são elementos importantes para pensar fora da caixa.

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